1º Comentário
Vivenciar o processo pelo qual é construído o conhecimento da metodologia de trabalhar em PA.
Venho de uma escola tradicional, trabalhei 25 anos com alunos do ensino fundamental, sempre trabalhei com projetos de ensino, eu, professora, determinava qual o conteúdo que iríamos trabalhar em determinado período.
Digo que sempre fiz da melhor maneira que conseguia, sempre procurando, exaustivamente, despertar no aluno a vontade de aprender pois só assim ele iria conhecer e conhecendo, naturalmente, continuaria aprendendo.
Tive contato com Projeto de Aprendizagem há pouco tempo, não conhecia, vivenciei cada passo dessa metodologia, tive a oportunidade de ver que sendo uma proposta do próprio aluno a motivação é espontânea, o professor passa a ser o mediador, construindo o conhecimento junto com seus alunos, pois o mais importante deixa de ser um conteúdo específico.
Aos poucos vou estar postando aqui minhas reflexões a respeito de PA
2ºComentário
Silvana, desculpe-me não ter respondido antes, o faço agora de uma maneira mais ampla pois não consegui durante a semana passada acompanhar as discussões.
Como estamos tratando de escolas estaduais pois são com elas que trabalhamos, concordo com vários depoimentos postados aqui, as dificuldades existem.
Mudanças são demoradas, tudo acontece muito devagar quando a questão é implementar nas escolas algo de novo, como por exemplo a lei 9394/96. As escolas estão em sua maioria em fase de mudanças, de estudos, de adaptação e, note-se bem, já se passaram dez (10) anos.
Laboratórios de Informática, muitas escolas possuem , não são usados, quanto muito em um turno, com raras exceções, em função do profissional para nele atuar.
Para atuar em LI o professor não pode ser contratado, a maioria dos professores nomeados possui maior tempo de prática escolar, que acarreta situação de escolha (como turmas nas disciplinas específicas, setores, gestores ), a tarefa de encontrar professor coordenador de laboratório torna-se penosa.
É preciso um professor que tenha um mínimo de conhecimento da parte “técnica” e ao mesmo tempo conheça as metodologias pedagógicas para auxiliar e incentivar professores.
Os gestores das escolas, muitas vezes não conhecem o benefício que o uso das tecnologias trazem para o dia a dia do professor. Ele deve conhecê-la para elencá-la como prioridade, no que se refere ao investimento financeiro e aos recursos humanos.
Naturalmente para trabalhar com PA, não é necessário que a escola toda participe, todas as disciplinas, laboratório de informática, posso fazer sozinha sim, na minha sala de aula, sim, mas se existir na escola um setor pedagógico que não fique só com problemas burocráticos e auxilie pedagogicamente o professor, o incentivo seria maior.
Então, não coloco como responsáveis somente os professores e sim o contexto o universo da escola, condições pedagógicas e técnicas para que melhorem sua prática.
3º Comentário
Estou realmente cansada, mas satisfeita, hoje terminamos, minhas colegas e eu , do NTE-Caxias do Sul, o curso de 120 horas de Capacitação para Atuação em LI. Trabalhamos com um grupo de professores das escolas estaduais da 4ª Coordenadoria de Educação.Desde o primeiro encontro salientamos o objetivo maior de curso, usar a informática em projetos de aprendizagem.
Usando o ambiente virtual e dois encontros semanais,os professores fizeram um PA em grupo e outro PA individual.Há 3 encontros estavam apresentando , alguns com projetos realmente de aprendizagem outros híbridos, alguns projeto de ensino.
Ficou que, com essa capacitação, muitos vivenciaram realmente a metodologia, usando vários recursos no LI. Também a certeza que o grande papel do professor é incentivar, orientar,mediar, criar ambientes de aprendizagem, que oportunize seus alunos a criarem seus próprios projetos e que a informática seja usada para facilitar esse trabalho, de todas as maneiras que conhecemos.
4º Comentário
Colegas!
Ontem à noite, quando atualizei meu blog, senti uma certa melancolia, coloquei vários recursos, como: álbum, chat, recados, links e pensei: “isso qualquer pessoa faz, com um pouco de conhecimento no uso do computador”.
Nosso trabalho aqui é mais amplo.
Durante a última semana uma Diretora de Escola procurou pelo NTE, solicitando ajuda, pois os professores de ensino fundamental séries finais e os professores do ensino médio não o utilizam.
Perguntei a ela se os professores trabalham com projetos, respondeu-me: “não, eles não gostam”.
Fico pensando de que forma iremos trabalhar com esses professores, para que a mudança se efetive no menor tempo possível. Segundo Magdalena e Costa (2003):
“A metodologia que nós, professores, adotamos com nossos alunos revela a forma como compreendemos, consciente ou inconscientemente, o processo de aprendizagem”
Como já disse aqui, vim de escola, professora de matemática, trabalhei muito com projetos de ensino, mas nunca conformei-me com o não aprendizado de qualquer aluno. Sei de que forma aprendo e procurava descobrir em meus alunos a forma de cada um. Cito aqui um trecho de Jean Piaget(in Lavattelly e Stendler, 1972):
“O conhecimento não é uma cópia da realidade. Conhecer um objeto, conhecer um acontecimento não é simplesmente olhar e fazer uma cópia mental, ou imagem, do mesmo. Para conhecer um objeto é necessário agir sobre ele. Conhecer é modificar, transformar o objeto, e compreender o processo desta transformação e, consequentemente, compreender o modo como o objeto é construído. Uma operação é, assim a essência do conhecimento”.
Sei também que só aprendi quando estava totalmente motivada, quando queria e quero muito apropriar-me de um conhecimento.
“Por que, não permitir que os estudantes definam seus próprios projetos, definam quais são os problemas a serem investigados, quais os instrumentos necessários e quais são as soluções satisfatórias?”
Bem, o encontro com os professores dessa Escola se dará em 15 dias, continuarei relatando para vocês minha experiência.
Comentários feitos na Síntese de PA
Penso que: O professor como mediador deve interferir no tema isso não quer dizer que ele desvie o interesse do aluno. Deve sim questionar para buscar argumentação do aluno sobre o foco de sua questão. Dando "consistência" ao desejo inicial.
Quanto a escola permitir que qualquer pergunta gere um PA, penso que sim desde que a pergunta seja argumentada pelo aluno, que ele tenha convicção do que está propondo, penso da mesma forma para os temas escolhidos.
Sirlei, em primeiro lugar meus cumprimentos pela escolha. Tua síntese está muito boa.Aproveitando a frase da Lúcia que tu usaste: “O processo não é rápido, mas vale a pena”
Quando pensamos em tempo na metodologia dialógica, sendo o professor mediador, criador de um ambiente participativo, de diálogo, de conhecimento de seus alunos e dos conhecimentos que trazem, claro que é muito mais demorado.
Seria muito mais rápido, transmitir conteúdos, explicar e “perguntar” através de exercícios se os alunos entenderam, não é mesmo?
Porém essa “perda” de tempo logo se transformará em ganho pois o que estamos desenvolvendo no aluno é sua autonomia, sua busca autônoma na construção de seus conhecimentos.
Data: 13/09/2006 21:32
Autor: Teresinha Bernardete Motter
Relatando a experiência vivida hoje sobre PA
A Adriana e eu, do NTE de Caxias do Sul, estivemos hoje em São Francisco de Paula, a escola recebeu um laboratório de informática há muito tempo esperado. Houve um esforço muito grande de parte da direção dessa escola e dos professores para que isso acontecesse .Estivemos com os professores durante 3 horas, falamos sobre a metodologia pedagógica de trabalhar com projeto de aprendizagem. Salientando o trabalho do professor em sua prática, levar o aluno a descoberta, conteúdos com significado, criar um ambiente de participação , de colaboração e cooperação. Sendo o laboratório de informática um auxiliar nesse processo, um facilitador, um organizador, uma ferramenta.
Os professores se mostraram interessados, queriam saber de que forma pode-se fazer um PA. De onde surge o “tema”, quem escolhe, em que momento se usa o laboratório. A Adriana deve falar aqui tb, sobre essa visita.
Respondendo a pergunta da professora Rosália: É possível que o aluno aprenda ao intervirmos em sua pergunta ou descoberta? Penso que sim pois a pergunta do professor deve ser aquela que levará o aluno para o esclarecimento, para a aprendizagem significativa a respeito do assunto para que realmente exista a construção do conhecimento por parte de um e de todos os alunos.
Como tentar garantir que isso aconteça em sala de aula? Dando significados aos conteúdos que estejam sendo trabalhados, com intervenções fazendo com que os alunos pesquisem a respeito, descubram, argumentem. Penso que sempre em todas as situações deve-se chegar ao conceito verdadeiro.
Estou certa, digam-me, colegas?
Estive re(lendo) essa semana "A construção e o Número" de Constance Kamii(1989), onde ela fala sobre Autonomia Intelectual.Diz:
No âmbito intelectual, autonomia também significa autogoverno assim como heteronomia é se governado por outrem.
Um pessoa heterônoma, acredita sem questionamentos em tudo que lhe dizem. Inclusive em conclusões ilógicas, em slongs e em propoaganda.
As crianças podem internalizar o conhecimento ensinado por um momento, mas elas não são recipientes que meramente retêm o que é entornado em suas cabeças.
Um modo mais preciso de discutir o construtivismo é o de dizer que as crianças constroem o conhecimento criando e coordenando relações.
Quando uma criança diz que 4+2=5, a melhor forma de reagir, ao invés de corrigi-la é perguntar-lhe: “Como foi que você conseguiu 5?” As crianças corrigem-se freqüentemente de modo autônomo, à medida em que tentam explicar seu raciocínio a uma outra pessoa.. Pois a criança que tenta explicar seu raciocínio tem que descentrar para apresentar o seu interlocutor um argumento que tenha sentido. Assim, ao tentar coordenar seu ponto de vista com o do outro, freqüentemente ela se dá conta de seu próprio erro.
De acordo com o construtivismo de Piaget, a coordenação de pontos de vista entre colegas é a mais eficaz.
O livro de Constance Kamii,(1989) fala sobre autonomia,da importância do papel do professor em encorajar o aluno a defender a sua opinião, mesmo que esteja errada, até que estiver convencido que está errada.” De acordo com o construtivismo, as crianças aprendem modificando velhas idéias, e não acumulando informações novas de novos pedacinhos”.(pg.117) Um debate,( uma conversa) sobre a escolha de algo encoraja as crianças a confrontar diferentes opiniões, de maneira critica, e a modificar velhas idéias quando estão convencidas de que uma nova é melhor. Esse é um trabalho que encoraja a autonomia intelectual do aluno.Faz que o aluno confie nele mesmo.
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