Metodologia de Interação e Intervenção em Ambientes Informatizados
Autor: Teresinha Bernardete Motter
Professora Luciane, colegas
Na agenda da turma 3 a disciplina começa hoje, mas ela já me deu muito trabalho.Mas agora estou mais tranquila, apesar de não ter feito como gostaria, enviei um arquivo que é link de uma página que estou fazendo desde o início do curso. Como não é possível enviar endereço de internet, enviei o arquivo, que só será entendido se for visualizado na página. Vou colocar aqui o endereço.
Método Clínico Piagetiano
Após ler o texto da Professora Iris Elisabeth Tempel Costa , o método clínico piagetiano, procurei o livro que li em março:A Psicologia do Desenvolvimento de Jean Piaget de John H. Flavell, tradução : Maria Helena Souza Patto-1988, vou colocar aqui trechos do livro e do texto significantes para minha compreensão.
Método Clínico Piagetiano
Segundo John H. Flavell em A Psicologia do Desenvolvimento de Jean Piaget de John H. Flavell, tradução : Maria Helena Souza Patto-1988
“Todos os estudos piagetianos, que vão além da mera observação no decorrer do comportamento têm características comuns. Primeiro, o experimentador propõe algum tipo de tarefa à qual a criança apresenta algum tipo de resposta.
Nem todas as crianças que pertencem a um mesmo grupo de idade recebem exatamente a mesma tarefa, e nem uma tarefa é apresentada exatamente da mesma forma para todas as crianças. Assim que a criança dá uma resposta, o experimentador faz uma pergunta, coloca uma variação do problema ou, de algum modo, cria uma nova situação estimuladora. Essa nova situação estimuladora é em parte uma resposta à resposta da criança. Ou seja, o experimentador escolhe uma pergunta que, à luz de sua experiência e do quadro de referências teórico, deverá esclarecer o que está implícito na resposta da criança e propiciar uma melhor compreensão de sua estrutura cognitiva. e assim o processo continua, ou seja cada resposta da criança determina parcialmente o próximo passo do experimentador... Duas crianças jamais receberão o mesmo tratamento experimental; o tratamento experimental varia muito entre os sujeitos em qualquer investigação.
Piaget refere-se à sua técnica experimental como método clínico...Seu ponto crucial é a exploração de uma variedade de comportamentos da criança numa seqüência estímulo-resposta; no decorrer desta rápida seqüência, o experimentador usa todo o “Insight” e a capacidade de que dispõe, para compreender o que a criança diz ou faz para adaptar seu próprio comportamento em função dessa compreensão.”
“Assim que apresenta a tarefa à criança, o experimentador empenha-se na tentativa de seguir o pensamento da criança para onde quer que ele se dirija, o que impede a realização de uma entrevista padrão, imutável.”(Pág 28)
Perigos e Dificuldades no uso do Método
“Acima de tudo, sou da opinião de que na psicologia infantil e na psicopatologia é necessário pelo menos um ano de prática diária, para que se ultrapasse o período de hesitação do principiante. É tão difícil, especialmente para um pedagogo, não falar demais quando entrevista uma criança! È tão difícil não sugerir! E acima de tudo é tão difícil encontrar o equilíbrio entre a sistematização decorrente de idéias preconcebidas e a incoerência decorrente da ausência de qualquer hipótese diretiva! O bom experimentador deve, na realidade, unir duas qualidades freqüentemente incompatíveis; precisa saber observar, isto é,deixar a criança falar livremente sem controlar ou desviar sua expressão e, ao mesmo tempo, deve estar constantemente alerta para o aparecimento de algo definido; precisa ter sempre uma hipótese de trabalho, alguma teoria, verdadeira ou falsa, que está tentando verificar. Os alunos principiantes ou sugerem à criança tudo que esperam encontrar ou não sugerem nada, pois não estão procurando nada e, neste caso, certamente jamais encontrarão alguma coisa. Em resumo, a tarefa não é simples e o material que produz deve ser submetido à crítica mais severa.” (Pág, 29)
Segundo Professora Iris Elisabeth Tempel Costa
“Esse método tem dificuldades por que pressupõe, do investigador que dele faz uso, duas qualidades quase antagônicas: saber observar, ou seja, deixar a criança falar, não desviar nada, não esgotar nada e, ao mesmo tempo, saber buscar algo de preciso, ter a cada instante uma hipótese de trabalho, uma teoria, verdadeira ou falsa, para controlar.” (texto da Professora Iris Elisabeth Tempel Costa)
“O interrogatório é flexível na medida em que é adaptado a cada sujeito, mas Castorina (1984) identifica três tipos de perguntas características do método clínico-crítico: São perguntas de exploração que teêm como objetivo fazer aflorar a noção cuja existência e estruturação se quer comprovar; perguntas de justificação que centram o sujeito sobre as razões do estado atual do objeto e nas explicações concernentes a sua produção e a legitimação de seu ponto de vista e questões de contra argumentação que têm o propósito de estabelecer se as aquisições das crianças são ou não estáveis, qual o grau de equilíbrio de suas ações ante os problemas bem como apreender sua atividade lógica profunda.
“As investigações recentes introduziram certas modificações ao método clínico-crítico de modo a ajustá-lo à nova problemática. Procede-se, atualmente, a uma cuidadosa observação das seqüências de condutas do sujeito interagindo com o material, gravando-se, quando possível, as sessões em vídeo.
Estas observações permitem que o investigador infira as estratégias e teorias de “ação” utilizadas pela criança já que o material empregado é construído de forma que apareçam contradições diminuindo a necessidade de um interrogatório verbal tão intenso quanto o empregado nas pesquisas anteriores, o que não impede a formulação de hipóteses e sua verificação nas ações das crianças.”
Pode-se dizer que, sendo o método de Piaget utilizado como estratégia para pesquisar os modos de pensar, os raciocínios e as argumentações dos sujeitos, pode ser usado em uma situação de aprendizagem. Esse método é utilizado na prática do professor em situações como: quando o professor observa, quando dialoga com os alunos, quando o aluno responde a uma pergunta, quando o professor intervêm com novo questionamento que levantem novas hipóteses.
É a prática diária da maioria dos professores, que só não o fazem com maior eficiência pois
o nosso sistema educacional é dotado de certas características que o fazem falhar em vários sentidos, entre eles, o professor obriga-se a pensar no coletivo em detrimento ao individual.
2ª Tarefa
Ficha de Leitura
Comentário
Após ter lido e enviado para o PROA 3,o texto acima, recebi o comentário da Professora Luciane Corte Real e com ele pude entender melhor a “interpretação dada pelo autor”, sobre o Método Clinico Piagetiano.
O comentário foi:
Terezinha, legal que tenhas procurado outras bibliografias. Retirei o texto abaixo que citaste do Flavell. Acho que temos que pensar um pouco sobre ele. Normalmente quando falamos de estímulo-resposta associamos ao behaviorismo (+ ligado ao empirismo), e quando utilizamos insight,a teoria da gestalt (apriorismo). Piaget não é nem empirista nem apriorista, e sim construtivista.
Desde então tenho procurado entender melhor as palavras usadas para a descrição do método, procurei em outros textos e livros.
No texto do professor José Armando Valente, saliento:”Para trabalhar com as crianças identificando o que elas sabiam e o que não sabiam, e poder classificá-las em seus estágios de desenvolvimento intelectual, Piaget usava situações-problema... Porém, antes de trabalhar com as crianças, Piaget dissecava este problema, estudando-o sob todos os conceitos emvolvidos. Com isso ele aprendia sobre que estava envolvido no problema como questionar as crianças, dependendo do comportamento que apresentavam diante de uma determinada situação, e que subproblema apresentar para mantê-las desafiadas e envolvidas,. Essa técnica de avaliação ou de interação com a criança ficou conhecida como o “ método clínico” (Carraher, 1989)
No livro Jean Piaget de Thomas Kesselring; tradução de Antonio Estevão Allgayer e Fernando Becker (1993). Observações sobre a técnica de trabalho de Piaget que diz:
“ Quando estudantes norte –americanos lhe perguntaram de que modo ele, que examinara a criatividade das crianças, teria chegado pessoalmente às suas idéias, nomeou três fatores entre si complementares: “ O primeiro é não ler nada daquilo que já foi escrito sobre a matéria da qual no momento se está ocupado; a leitura só deve ser feita depois. O segundo método é ler tudo o que for possível acerca de áreas de conhecimento vizinhas à matéria em estudo.. Para o estudo da inteligência são essas naturalmente, de um lado a biologia e de outro lado a matemática e a lógica, etc, incluída a sociologia e tudo aquilo que contorna o objeto com que está lidando. e o terceiro método é este: Deve-se ter um bode expiatório. O meu é o positivismo lógico.” (Págs 47, 48)
Segundo Denis-Prinzhorn&Grize apud Kessler.(1998, p.64), o método clínico piagetiano é o mais ágil para conhecer o pensamento dos sujeitos porque o experimentador pode seguir seus desvios e seus rodeios. Por ser , fundamentalmente, constituído pela formulação de perguntas, permite seguir o pensamento da criança, seja agindo sobre ações puramente verbais, seja com material concreto. A indagação clínica é o procedimento mais próprio para chegar a organização intelectual na investigação, tendo um lugar na criação de situações de aprendizagem.
Não encontrei nesses autores as expressões: estímulo-resposta, nem tampouco “insight” ou nada que sugira.
Preciso aprender agora o que é Positivismo Lógico, que falava Piaget como sendo o seu “bode expiatório”.
Deixo esse assunto para minha próxima ficha de leitura.
Nome: Teresinha Bernardete Motter Data: 18 / 9 / 2006 Hora: 20:44:06
Número do Questionador: 40
Questões: No livro Jean Piaget de Thomas Kesselring; tradução de Antonio Estevão Allgayer e Fernando Becker (1993). Observações sobre a técnica de trabalho de Piaget que diz: “ Quando estudantes norte –americanos lhe perguntaram de que modo ele, que examinara a criatividade das crianças, teria chegado pessoalmente às suas idéias, nomeou três fatores entre si complementares: “ O primeiro é não ler nada daquilo que já foi escrito sobre a matéria da qual no momento se está ocupado; a leitura só deve ser feita depois. O segundo método é ler tudo o que for possível acerca de áreas de conhecimento vizinhas à matéria em estudo.. Para o estudo da inteligência são essas naturalmente, de um lado a biologia e de outro lado a matemática e a lógica, etc, incluída a sociologia e tudo aquilo que contorna o objeto com que está lidando. e o terceiro método é este: Deve-se ter um bode expiatório. O meu é o positivismo lógico.” (Págs 47, 48) Sabendo que o “bode expiatório” é o que negamos com mais ênfase e, para Piaget ,é o positivismo lógico, tenho tentado aprender. No texto : O Positivismo Lógico do Círculo de Viena, considerando que eu só tenho acesso à informação que meus sentidos me trazem, não posso ter informações sobre minha consciência, cuja natureza difere da de meu corpo. É verdade que não posso negá-la, mas também não posso estudá-la. (É interessante que esta influência também levou ao idealismo e ao subjetivismo: já que não tenho acesso a nada senão minhas sensações, o mundo não existe, somente minhas impressões dele, só minhas idéias são reais). http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/matos.htm Fiz também resumos sobre as epistemologias: http://br.geocities.com/bernardetemotter/empirismo.htm http://br.geocities.com/bernardetemotter/apriorismo.htm Pergunto: Positivismo lógico é a epistemologia empirista? Outra que não estudei?
Eu vi dar uma passeadinha por aqui e vi tua mensagem para a professora . Vou escrever o que eu entendi da atividade pode ser que te ajude, é a minha intenção. No texto da professora Iris, o Método Clínico Piagetiano, fala sobre as perguntas de "exploração" que teêm como objetivo fazer aflorar a noção cuja existência e estruturação se quer comprovar, perguntas de" justificação" que centram o sujeito sobre as razões do estado atual do objeto e nas explicações concernentes a sua produção...e as de "contra-argumentação" que têm o propósito de estabelecer se as aquisições da criança são ou não estáveis, qual o grau desequilibrio de suas ações ante os problemas.. Te deparaste com alguma pergunta desse tipo na parte presencial? Ficaste em desiquilibrio frente a alguma pergunta dirigida para ti? Tiveste que argumentar tua escolha? Mudaste de idéia depois de ter refletido a respeito de alguma perguntas
Data: 08/10/2006 20:32
Autor: Luciane Corte Real P
Pessoal,
para nos ajudar a pensar cooperação trago algumas passagens do livro da MONTAGENRO:
“A noção de cooperação está ligada à perspectiva psicossocial pela qual Piaget dos anos jovens procurava explicar o desenvolvimento cognitivo. Do ponto de vista da atitude intelectual, essa forma de interação opõe-se ap egocentrismo dos estados iniciais que limita o indivíduo a seu próprio ponto de vista” (Montangero p. 123).
“no plano social a cooperação conduz à solidareidade, à autonomia e à idéia de justiça, portanto a constução de valores; no plano intelectual também, onde esse processo, liberando a criança de sua atitude egocêntrica, permite acesso à lógica. A cooperação é, por outro lado, no nível das relações interindividuais, o equivalente da reciprocidade lógica” (p.123) A cooperação tem haver sob a concepção de desenvolvimento como uma passagem a equilíbrios melhores, definidos pelas relações entre os elementos de uma totalidade e a perspectiva construtivista na qual o indivíduo atinge a construção de normas por um ajustamento das interações.
Abraços
Avaliação
Nesse caminho, naturalmente surgiram o Apriorismo e Empirismo e eu consegui fazer uma reflexão da minha prática pedagógica, embasada em conhecimentos adquiridos aqui, nessa disciplina e no PROA4.
Para vocês terem uma idéia, no início, eu pensava que o grande colaborador de Piaget "Inhelder" fosse homem e que J. A. Castorina, outro autor muitas vezes citado, fosse mulher.
Iniciei com o método clínico que penso, entendi bem, estudei os estágios de desenvolvimento, desde o sensório motor até o pensamento formal. A segunda tarefa que foi distinguir os diferentes tipos de intervenções, que aconteceram em algum momento na parte presencial, fizeram com eu aprendesse, na prática. Preciso ver com mais detalhes os tipos de respostas dadas pela criança: não importismo, fabulação, crença sugerida, crença desencadeada e a crença espontânea. Já iniciei minhas leituras a respeito.
Aprendi o que é Positivismo Lógico, que “insigth”, na teoria Piagetiana não existe porque o “de repente” não passa de uma ilusão produzida pelo desfecho de um longo processo quase totalmente inconsciente segundo Fernando Becher (1999), e "leio" agora com significado.
O que chamou muito minha atenção foi a passagem do egocentrismo intelectual para a cooperação. Que sozinho nenhum indivíduo conquista o progresso lógico , a matemática está aqui, reciprocidade, reversibilidade, está em todas as dimensões do ser humano. Estou agora lendo Revisitando Piaget,(Fernando Becker) que livro maravilhoso.Recomendo.
Um abraço grande para todos
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