Matemática e Preconceito

 

Em Edição

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Aprender

Data: 01/08/2006 22:18

Autor: Teresinha Bernardete Motter

 

 

 

Professora Luciane, colegas

Entrei, hoje, na quinta semana de curso, tenho agora 5 disciplinas, gosto muito de entrar nos forúns de wiki, blog,adoro a parte técnica. Ao entrar aqui hoje, fiquei muito feliz, pois encontrei um tema que amo, o que é aprendizagem,como se aprende, onde se aprende, com quem? São temas que sempre me fascinaram.

Tenho uma experiência pessoal muito forte, tudo o que eu quis apreender, consegui, em muitos casos, sozinha.

Lecionei matemática muito tempo, e tinha como objetivo maior despertar nos meus alunos a vontade de conhecer de aprender de amar a matemática.

Desde muito pergunto-me como é que eu aprendo?, não posso deixar de colocar aqui uma parte de um texto de Jean Piaget que diz:http://proavirtualg31.pbwiki.com/Em%20Edi%C3%A7%C3%A3o?edit=1

"Para conhecer um objeto é necessário agir sobre ele. Conhecer é modificar, transformar o objeto, e compreender o processo desta transformação e, consequentemente, compreender o modo como o objeto é construído. Uma operação é, assim a essência do conhecimento”.

Aprender é comprender o que foi feito, é ir e vir, é conhecer o objeto em todas as suas formas, é construí-lo e transformá-lo.

Como já é muito tarde amanhã vou escrever aqui uma situação concreta que vivenciei com meus alunos.

Adorei estar aqui

 


 

Minha Aprendizagem

Data: 03/08/2006 21:46

Autor: Teresinha Bernardete Motter

 

Professora Luciana, colegas

 

Entrei hoje para contar minha experiência de aprendizagem, a relatei no meu blog desta maneira:

Gosto de fazer páginas com editor de html. O problema é que a cada edição tenho que publicar o index e mais os arquivos. Então, resolvi que faria na wiki, e nela eu não queria Side Bar,gostaria de mais espaço, sabem? Não observei que a página que estava trabalhando era do curso PROA. Apaguei tudo... quando vi, a wiki do curso estava sem Side Bar, ou quase. Fiquei paralizada, fui pedir socorro para professora Iris, que prontamente atendeu-me. Estou na minha construção de conhecimento, interagindo plenamente com o ambiente, mas reconheço que não precisa tanto.

Então, há 30 dias eu não conhecia wiki,desde então estou a cada dia aprendendo um pouco. A qualidade da minha interação, testei letras, tamanhos, cores, figuras, código html, proporcionou-me uma apredizagem que me torna confiante para editar uma wiki.

 


Aprendizagem

 

Primeiramente, pode-se supor que o conhecimento é instrinsecamente relacionado à faixa etária do sujeito , sendo que dependendo da mesma, a criança, adolescente ou adulto aprendem e/ou apreendem o mundo de determinada maneira. É importante observar, que, para Piaget, as fases do desenvolvimento são sobrepostas, sendo que quando uma é atingida não existe a regressão para uma etapa anterior. Assim, o sistema cognitivo se constitui de uma maneira diferente do emocional, já que para Freud as fases do desenvolvimento sofrem regressões parciais ao longo de toda a história do sujeito.

Pensa-se também que não se pode desvalorizar o aspecto genético, que conforme alguns estudos da atualidade, correspondem a 50% da formação da personalidade e da forma como o indivíduo estrutura sua aprendizagem.

Assim, pode-se acreditar que uma criança inicialmente aprende através do sensório motor, com a descoberta do próprio corpo, do espaço e do mundo que a cerca. Aqui, acredita-se que os órgãos sensoriais são os principais (e talvez únicos) responsáveis pela aprendizagem da criança, como no exemplo citado, os olhos e ouvidos.

Salienta-se também que a sociedade atual, com o modelo capitalista vigente e a conseqüente estimulação do consumismo, dá uma ênfase cada vez mais significativa ao consumismo e este estímulo é proporcionado especialmente através do sentido da visão, sendo o último extremamente valorizado na nossa sociedade.

Com a evolução do sistema cognitivo e a introdução do pensamento formal, pode-se supor que o sujeito passa a construir as aprendizagens através de um número cada vez maior de abstrações e, portanto, de percepções.

Salienta-se ainda que pode-se considerar que cada sujeito é único, com uma história, uma cultura, uma genética e um meio social que, interrelacionados, são fatores decisivos na construção de conhecimentos única e individual.

Portanto, conclui-se que os estímulos chegam ao indivíduo através dos órgãos sensoriais, mas passam por uma espécie de reformulação que varia segundo o sistema de crenças, regras, valores, moral e interesses, que são pessoais e baseados nas percepções.

 


 

Entendendo Piaget

 

Li em janeiro desse ano, A psicologia do desenvolvimento de Jean Piaget de John H. Flavell ( 1965),estou retornando a ele fazendo uma re(leitura).

 Um trecho que chama minha atenção diz: " o que induz o sujeito - bebê, criança ou adulto - a envolver-se em atividades cognitivas diante do ambiente? A resposta mais comum entre os psicólogos talvez seja que estas ações são motivadas por impulsos primários - fome... ou por necessidades secundárias decorrentes das necessidades primárias. Piaget não nega o papel das necessidades físicas e de seus derivados, mas afirma que o motivo fundamental que governa o esforço intelectual, aquele que é realmente necessário e suficiente, é de natureza interamente diferente.

Defende a posição segundo o qual existe uma necessidade intrínsica dos órgãos ou estruturas cognitivas de, uma vez gerados pelo funcionamento, perpetuarem-se através da continuação deste funcionamento. (pag.78).

 

Desenvolvimeto Afetivo

 

" Assim, o afeto e a cognição podem ser separados para fins de discussão, mas são indissolúveis na vida real; ambos (como a assimilação e a acomodação) estão necessariamente presentes em toda a adaptação humana.O aspecto afetivo -emocional fornece a energia do comportamento, enquanto o aspecto cognitivo proporciona a estrutura."(80)

 " De acordo com Piaget, não é por acaso que uma criança de cerca de dez anos começa a desenvolver uma hierarquica de valores e sistemas de crença bem organizados sobre regras e leis, obrigações mútuas entre companheiros, etc.(1932); ela desenvolveu estruturas cognitivas que possibilitam tais aquisições - possíveis aos dez, mas impossíveis aos quatro anos.

Em qualquer idade,o que pode acontecer com aquilo que poderíamos chamar vagamente de " adaptação extracognitiva" depende muito da natureza da organização cognitiva que se desenvolveu até o momento, e, portanto, o estudo dessas organizações é de importância vital para aqueles que se dedicam à psicologia social e da personalidade".(81)

 

Ação

 

" De acordo com Piaget, as ações realizadas pelo sujeito constituem a substância ou matéria-prima de toda a adaptação intelectual e perceptual. Durante os primeiros anos de vida, tais ações são relativamente manifestas, sensório-motora: a criança pega e suga objetos, faz explorações visuais, etc...Com o desenvolvimento, as ações inteligentes tornam-se progressivamente interiorizadas encobertas."(82)

 


O conhecimento provêm apenas dos sentidos e/ou resulta de uma abstração através dos dados sensoriais ?

No texto:“Diferenças entre Percepção e Atividade Perceptiva” da professora Lea Fagundes (2006). Observei:

 

“O importante é que não podemos negar a função dos sentidos nem minimizar o papel da percepção. Se o conhecimento do objeto não entra pelos sentidos nem forma cópias deles em nossos centros corticais, como funcionam os mecanismos da percepção? Pela atividade perceptiva. com pouca atividade formamos quadros perceptivos, mas pela atividade exploratória, agindo sobre os objetos funcionam nossos mecanismos de centrar a percepção num foco, descentrar e centrar noutro, transpor relações entre uma parte e outra, fazendo novas coordenações inferenciais entre as partes e melhorando as percepções.

E o mais importante: as novas informações não entram do exterior pelos sentidos, mas elas são buscadas pelo sujeito... A atividade apenas perceptiva vai se tornando em atividade cognitiva quando o pensamento já pode representar por imagens e por raciocínios o que não está mais presente no campo perceptivo.

Venho de uma “escola” que a aprendizagem deveria constituir numa mudança de comportamento .Se o aluno não aprendia era porque a metodologia não foi utilizada corretamente, conforme texto “Diferenças entre Percepção e Atividade Perceptiva”da professora Lea Fagundes (2006).

Sei como aprendo, descrevi no exemplo que postei no fórum, “para conhecer um objeto é necessário agir sobre ele”etc... Sempre a partir de observações, verificava como e porque meus alunos aprendiam ou não, nessas observações, constatava que se o aluno não entendia uma equação do 2º grau era porque não havia “estrutura” , “ aceitação” para tal.

Tínhamos que “voltar”, agir a partir de uma situação conhecida, para que o próprio aluno se apropriasse das relações que não interiorizou e portanto não aprendeu.

 


Como funcionam os mecanismos da percepção?

“Pela atividade perceptiva, com pouca atividade formamos quadros perceptivos, mas pela atividade exploratória, agindo sobre os objetos funcionam nossos mecanismos de centrar a percepção num foco, descentrar e centra noutro, transpor relações entre uma parte e outra, fazendo novas coordenações inferenciais entre as partes e melhorando as percepções. As informações não entram pelos sentidos, são buscadas pelo sujeito.

Alexandra, como diz o texto, mostra uma conduta típica do quarto estágio sensório-motor ( 10 meses).

O fato geral comum desta etapa é que a criança depois de ter visto o objeto desaparecer em B, vai procurá-lo em A, onde o encontrou momentos antes.

Durante a quarta há a procura de objetos desaparecidos sem, entretanto, considerar seus deslocamentos.

Será dificuldade de memória?

Dificuldades de localização espacial?

Constituição incompleta da noção de objeto?

Lendo os textos e assistindo o vídeo, vejo que é o terceiro, pois Alexandra percebe o objeto mas ainda não adquiriu a consciência das relações de posição e de deslocamento.

Essa consciência ela só terá na quinta etapa.

Com relação ao segundo vídeo, estando a criança no segundo estágio, pré-operacional, que se entende, em média, dos dois aos sete anos, segundo ( Inhelder e Piaget, 1958, p.247), “o pensamento pré-operacional é estático e imóvel. È um tipo de pensamento que pode focalizar impressionística e esporadicamante esta ou aquela condição momentânea e estática, mas que não consegue ligar adequadamente um conjunto de condições sucessivas num todo integrado...”A criança é incapaz de se acomodar ao novo, assimilando-o ao velho de uma maneira racional, coerente, de uma maneira que preserve intactos os aspectos fundamentais da organização assimilativa anterior.

As mudanças sucessivas a empurram para todos os lados, lançando-as em contradições flagrantes com as cognições anteriores e geralmente destroem qualquer equilíbrio momentâneo entre a assimilação e a acomodação que ela possa ter atingido no momento anterior.” ( Flavell, tradução Maria H. Patto, 1988, (pgs.159,160)


"Pensamento estático e imóvel", segundo Piaget, "a atenção num aspecto único e saliente do objeto sobre o qual o raciocínio incide, em detrimento de outros aspectos importantes, o que produz uma distorção no raciocínio é a característica, a criança nesse estágio é incapaz de descentração, ou seja, de levar em consideração aspectos que poderiam equilibrar e compensar os efeitos distorcivos da centração em um aspecto particular.

Tal como ocorre com a criança sensório-motora com relação á ação direta, a criança pré -operacional limita-se á superficie dos fenômenos sobre as quais tenta raciocinar, assimilando apenas aspectos superficiais que mais chamam sua atenção.

A criança tende a focalizar a atenção nos estados ou congigurações sucessivos de um acontecimento, em lugar de prestar atenção nas transformções pelas quais um estado se converte em outro."( Flavell, tradução Maria H. Patto, 1988)(pag. 158,159)


Nome: Teresinha Bernardete Motter Data: 18 / 9 / 2006 Hora: 20:44:06 Nome: Teresinha bernardete Motter Data: 18 / 9 / 2006 Hora: 20:44:06

Número do Questionador: 40

Questões: No livro Jean Piaget de Thomas Kesselring; tradução de Antonio Estevão Allgayer e Fernando Becker (1993). Observações sobre a técnica de trabalho de Piaget que diz: “ Quando estudantes norte –americanos lhe perguntaram de que modo ele, que examinara a criatividade das crianças, teria chegado pessoalmente às suas idéias, nomeou três fatores entre si complementares: “ O primeiro é não ler nada daquilo que já foi escrito sobre a matéria da qual no momento se está ocupado; a leitura só deve ser feita depois. O segundo método é ler tudo o que for possível acerca de áreas de conhecimento vizinhas à matéria em estudo.. Para o estudo da inteligência são essas naturalmente, de um lado a biologia e de outro lado a matemática e a lógica, etc, incluída a sociologia e tudo aquilo que contorna o objeto com que está lidando. e o terceiro método é este: Deve-se ter um bode expiatório. O meu é o positivismo lógico.” (Págs 47, 48) Sabendo que o “bode expiatório” é o que negamos com mais ênfase e, para Piaget ,é o positivismo lógico, tenho tentado aprender. No texto : O Positivismo Lógico do Círculo de Viena, considerando que eu só tenho acesso à informação que meus sentidos me trazem, não posso ter informações sobre minha consciência, cuja natureza difere da de meu corpo. É verdade que não posso negá-la, mas também não posso estudá-la. (É interessante que esta influência também levou ao idealismo e ao subjetivismo: já que não tenho acesso a nada senão minhas sensações, o mundo não existe, somente minhas impressões dele, só minhas idéias são reais). http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/matos.htm Fiz também resumos sobre as epistemologias: http://br.geocities.com/bernardetemotter/empirismo.htm http://br.geocities.com/bernardetemotter/apriorismo.htm Pergunto: Positivismo lógico é a epistemologia empirista? Outra que não estudei?


 

Respostas de minhas colegas

Resposta Da Sirlei

Segundo Autor: Bernadete

Indicadores - segundo autor: Oi Berna! Tudo bem? Para responder tua pergunta, fui à pesquisa. Só de pensar que poderia ser direcionado a matemática (como tem tudo a ver), fiquei tremendo. É difícil encontrar professora de Português que goste de matemática e/ou vice-versa. No início da pesquisa parecia que eu estava estudando “grego”. Fiz tua pergunta: “Positivismo lógico é a epistemologia empirista?” a alguns professores da minha escola para me ajudarem no resultado. O que consegui foi sugestões de excelentes conteúdos os quais li com muita atenção.Vamos ao resultado que é o que interessa: Embora o termo Epistemologia que etimologicamente significa discurso (logos) sobre a ciência (epistema), seja de criação relativamente recente (a partir do século XIX), a "prática" epistemológica tradicional, chamada de Teoria do Conhecimento, é antiga como parte do discurso filosófico espontaneamente desenvolvida pelos filósofos. É uma teoria de fundamento das ciências. O Empirismo é um método (experiência que parte dos fatos concretos) e sustenta que o conhecimento só acontece pela experiência sensorial e que conceitos não existem. Os Empiristas querem uma justificativa "científica", mas recusam explicitamente qualquer idéia de que o homem possa formar conceitos do mundo. O Empirismo é uma corrente filosófica que considera a experiência sensível externa (as sensações) e interna (os nossos sentimentos tal como são vividos) como fonte única, direta ou indireta, do conhecimento. A experiência é a única fonte do conhecimento. Não há ideias inatas — a mente está vazia antes de receber qualquer tipo de informação sensorial. Todo o nosso conhecimento acerca das coisas, mesmo aquele que formula leis universais, vem da experiência, por isso, só é válido dentro dos limites do observável. Conduz a um probabilismo ou mesmo a um cepticismo O Positivismo Lógico é uma forma de empirismo que sustenta que uma sentença (fora da matemática ou da lógica simbólica), só é verdade se puder ser verificada empiricamente. Alega que não existem metafísica, ética, conceitos, ou qualquer outra coisa intangível, ou produto de um processo mental. Portanto, ao invés de venerar a mente, denuncia a mente e venera o mundo material. O positivismo lógico ou empiricismo lógico do Círculo de Viena (Moritz Schlick, um de seus mentores, preferia a segunda denominação) sofreu grande influência de Wittgenstein, amplamente citado pela literatura a respeito que diz toda proposição é significativa, fornece alguma informação acerca do estado atual do mundo, na medida em que afirme a ocorrência de certos fatos atômicos e exclua a ocorrência de outros. O valor de verdade de uma proposição deve, pois, poder ser determinado a partir do conhecimento da ocorrência, ou não-ocorrência, dos fatos atômicos envolvidos. Os membros do Círculo de Viena foram levados a defender a idéia de que é possível submeter as proposições matemáticas e lógicas ao "princípio empiricista". Entretanto, só a verificação empírica de tais proposições definirá se elas são providas de significado ou não, se são de fato proposições ou pseudoproposições. Isto é, são apenas proposições formais, desprovidas de significado e vazias de conteúdo, o que faria delas mais propriamente uma linguagem do que proposições acerca da realidade. Vê-se então a importância que a lingüística teve para os empiricistas lógicos na formulação de suas concepções acerca do método científico. Por meio do método científico positivo desta metodologia proposta pelos positivistas, poder-se-ia não somente alcançar "a" verdade pelo discurso científico (um conhecimento absoluto), mas também unificar as diversas abordagens científicas, de modo a existir somente um método de construir o conhecimento científico humano sobre qualquer fenômeno do mundo: o método positivo. Os formalistas do positivismo lógico acham, ao contrário, que se deva construir "a priori" um código escrito, e esta é a principal diferença (formalismo e antiformalismo) que passou a dividir o movimento neopositivista entre os filósofos da Inglaterra que defendem como objeto da filosofia a linguagem ordinária oposta à metafórica, hiperbólica, arcaica, formal e não à científica. Assim, separam-se os filósofos da Inglaterra dos positivistas lógicos ortodoxos (da análise lingüística). Outro problema que os separa é o problema do Significado. A diferença entre o velho e o novo empirismo consiste nisto: o velho empirismo era uma análise das faculdades humanas; o novo empirismo é uma análise das expressões em geral. Para o novo positivismo, a ciência é apenas uma linguagem ou um conjunto conexo de linguagens das quais pretende traçar as regras de formação e de transformação. O velho positivismo falava de fatos como realidades últimas, independentes das observações e não modificáveis por elas. O novo positivismo fala de protocolos, isto é, de fatos efetivamente observados e expressados em determinada linguagem. O velho positivismo falava de relações constantes e necessárias entre os fatos, relações que constituíam as leis imutáveis da natureza. Na epistemologia empirista, a única fonte de conhecimento humano é a experiência adquirida em função do meio físico mediada pelos sentidos. Segundo Mauro Lúcio Leitão Conde(Prof. de História da Ciência e da Técnica Departamento de História/FAFICH/UFMG no seu artigo:O Círculo de Viena e o Empirismo Lógico- site: http://www.fafich.ufmg.br/~scientia/art_mauro2.htm O movimento que recebeu o nome de Empirismo Lógico, Positivismo Lógico ou ainda Neopositivismo surgiu por volta de 1920 na cidade de Viena (Áustria), onde um pequeno grupo de cientistas e filósofos reuniam-se às quintas-feiras em um café para discutir questões epistemológicas. Este grupo tinha especial interesse pela linguagem, procurando, através da análise desta, estabelecer o estatuto das proposições científicas. No Artigo: POSITIVISMO, POSITIVISMOS * DA TRADIÇÃO FRANCESA AO POSITIVISMO INSTRUMENTAL, de Túlio Velho Barreto capturado no Site: http:// www .ufpe. br/eso/ revista8/ positivismo.html.diz: De acordo com Braynt, para Comte e Durkheim, "o positivismo era não apenas uma epistemologia, uma teoria do conhecimento, como ele é para muitos teóricos contemporâneos, mas também uma ontologia, uma teoria da estrutura e desenvolvimento do mundo" (idem.:11-2). ..”a filosofia positiva de Comte é (a) empírica, porque a experiência humana era o árbitro (juiz) do conhecimento” ““ Mas, perece-me que, se positivista significa a adoção de procedimentos científicos rigorosos com os quais se buscam evidências através do levantamento e da observação de dados empíricos, para testar hipóteses, quer através do método indutivo quer por meio de método hipotético, ele não deixa de sê-lo. Piaget faz objeção à teoria empirista que "tende a considerar a experiência como algo que se impõe por si mesmo, como se fosse impressa diretamente no organismo sem que uma atividade do sujeito fosse necessária à sua constituição”.(Becker, 1998, p.12), mas, Piaget concorda com o empirismo no fato de afirmar que o conhecimento vem da experiência. "Sem o contato com o mundo externo não há como produzir conhecimento". A pedagogia para os empiristas é diretiva. O aluno aprende, se e somente se, o professor ensina. O professor acredita no mito da transferência do conhecimento. O professor possui o saber e detém o poder estabelecido por hierarquia. Apesar do positivismo compartilhar com o empirismo a crença de que “há fatos que podemos obter no mundo social, independente da forma de como as pessoas os interpretam” e ambas afirmarem que há fatos sobre o mundo social que podemos reunir (independente das variações devidas à interpretação; como já foi dito anteriormente), contudo a diferença fundamental entre positivismo e Empirismo está na teoria: O positivismo baseia-se nos métodos do empirismo. Por tudo o que pesquisei e pelo resultado das minhas reflexões expostas acima é que tive muita dificuldade em responder claramente a tua pergunta: “Positivismo lógico é a epistemologia empirista?” com um sim ou não mas, inseguramente e até aceito contribuição para essa resposta digo que não; para mim positivismo lógico não é a epistemologia empírica (até porque noto que empirismo e empiricismo não é a mesma coisa também e isso até eu entender atrapalhou muito.) Um grande abraço: Sirlei-Vacaria Referência: http://www.lapeq.fe.usp.br/~waldmir/Circulo_Viena.pdf http://www.ufpe.br/daepe/n6_8.htm http://www.if.ufrgs.br/public/ensino/vol5/n2/v5_n2_a3.

 


Nome: Sonia Fátima Guerino Furini Data: 24 / 10 / 2006 Hora: 18:29:43

Primeiro Autor: Teresinha

Indicadores - primeiro autor: Teresinha, li muito sobre sua pergunta: Positivismo Lógico é a Epistemologia Empirista? Vou tentar responder, acredito que não vou satisfazer sua dúvida, mas há autores que defendem um posicionamento em relação e outros defendem outra, depende do aspecto que nos posicionamos para analisar. Mas o Positivismo lógico é uma forma de empirismo,( sustenta que o conhecimento só acontece pela experiência sensorial e que conceitos não existem)sustenta que uma sentença(fora da matemática ou da lógica simbólica) só é verdade se puder ser verificada empiricamente,como uma reação contra o idealismo(que defende que as idéias têm substância material ou que só as idéias é que existem e que a experiência não é parte da existência real).


Réplica

 

professora Luciane, colegas

Data: 29/10/2006 16:31

Autor: Teresinha Bernardete Motter

 

RéplicaDesculpem-me pelo tamanho da réplica mas julguei interessante escrever. Queridas colegas, Sirlei e Sônia, quando estudei o método clínico usado por Piaget como estratégia para pesquisar os modos de pensar, os raciocínios e as argumentações dos sujeitos,não tendo esse método definição, visto que não é conceito, o que na ocasião chamou minha atenção foi o que Piaget não admitia em hipótese alguma, tanto que chamou de "bode Expiatório", o Positivismo Lógico. Na ocasião não havia estudado as relações entre teorias de conhecimento e teorias pedagógicas. Formulei a pergunta errada,peço desculpas a ambas, vi mas não havia concluído minhas leituras. Agora com mais clareza e, Sirlei ,concordo contigo quando respondes que Positivismo Lógico não é a epistemologia empírica. Coloco abaixo uns recortes do texto Relações entre Teorias Pedagógicas e Teorias de Conhecimento de Raquel Freitas e José C. Libâneo. site:http://www.ucg.br/site_docente/edu/libaneo/pdf/curriculumvitae.pdf Penso que assim, poderemos chegar juntas a resposta mais correta possível. "As relações entre teorias pedagógicas e teorias de conhecimento dizem respeito às relações entre saber e conhecimento. Essa relação está no centro da didática, uma vez, que é a didática que se põe a tarefa de investigação e prática dos processos de ensino e de aprendizagem. ensinar e aprender na escola são processos que envolvem e apoiam-se no conhecimento fornecido pelas teorias explicativas de como se dá a aprendizagem e, por conseqüência , como deve ocorrer o ensino. Mas como se compreende essa relação essa relação, em que se sustentam as explicações do mundo como um saber torna-se conhecimento? Essa questão nos remete à outra:a epistemologia ou a teoria do conhecimento. Assim para definir-se se o pensamento do sujeito corresponde ao objeto foram estabelecidos critérios, maneiras, métodos dos quais o homem possa se valer para que haja conhecimento verdadeiro. mas se essa correspondência se estabelece por meio do intelecto, da razão, surge então outra questão: de onde vem a razão? O esforço de resposta a essa questão resultou em duas posições: o inatismo (apriorismo) e o empirismo. O inatismo (Platão, Descartes) postula que ao nascermos já trazemos em nossa inteligência os princípios racionais e algumas idéias verdadeiras, idéias natas.Não podendo se alterados por nenhuma experiência. O empirismo(Bacon , Loche) postula que a razão e seus princípios , idéias e procedimentos, são adquiridos por nós por meio da experiência( em grego empiria); antes que ocorra experiência nossa razão é como uma folha em branco e a experiência é que "escreve" nosso intelecto." Não alongando-me muito, o texto continua com a contestação de Kant a essas posições e, por sua vez Hegel o contesta , poderão verificar no texto indicado acima. Também pesquisei sobre Metodologia Científica, como o conhecimento científico era investigado pelo homem.

 

"O que se deve chamar de método científico, portanto, é aquele conjunto de procedimentos não padronizados adotados pelo investigador, orientados por postura e atitudes críticas e adequadas á natureza de cada problema investigado. O que se aceita chamar de método científico é a forma crítica de produzir o conhecimento científico, que consiste na proposição de hipóteses bem fundamentadas e estruturadas em sua coerência teórica( verdade sintática) e na possibilidade de serem submetidas a uma testagem crítica severa( verdade semântica) avaliada pela comunidade científica(verdade pragmática). Parte do texto: Ciência Moderna (século XVII até início do século XX) Esses dois caminhos, o platônico e o aristotélico, depois de coexistirem por mais de 2000 anos, foram atacados a partir do século XV e, principalmente, no século XVII, durante o Renascimento, pela revolução científica moderna, que introduz a experimentação científica, modificando radicalmente a compreensão e concepção teórica do mundo, da ciência, de verdade, de conhecimento e método.A Partir do século XIII, por influência do uso da matemática, da observação e da experimentação na tecnologia latente na idade Média, que a exigência de métodos precisos de investigação e explicação no campo das ciências naturais conduziram à tentativa de usos de métodos matemáticos e experimentais. Opondo-se à ciência grega e ao dogmatismo religioso que imperava na época, os renascentistas, principalmente Galileu (1564-1642) e Bacon (1561-1626),rejeitaram o modelo aristotélico. Bacon propôs a necessidade de se inventar um novo instrumento, um método de investigação. Para isso seriam necessárias a observação sistemática e a experiência dos fenômenos e fatos naturais.Cabia a experiência confirmar a verdade. Propôs um método que chamou interpretação da natureza. Seu princípio fundamental afirmava que o homem deveria libertar seu intelecto dos pré-conceitos, que impediam a correta visão das formas (leis) que organizavam a natureza. Livre da visão distorcida da realidade, poderia dedicar-se exaustiva, metódica e sistematicamente à observação dos fenômenos. Esse método se tornou conhecido como método científico e deveria ser utilizado para se atingir um conhecimento científico. O método científico deveria seguir os seguinte passos: Experimentação Formulação de Hipóteses Repetição da experimentação por outros cientistas Repetição do experimento para testagem das hipóteses Formulação das generalizações e leis. Galileu Galileu trilhou um caminho diferente do de Bacon. A certeza da validação da explicação não poderia ser fornecida através da simples demonstração, utilizando argumentos lógicos, de acordo com o modelo aristotélico, mas pelas provas construídas e elaboradas de forma matemática com as evidências quantitativas dos fatos produzidos pela experimentação. Galileu foi o responsável pela chamada revolução científica moderna, a introduzir a matemática e a geometria como linguagens da ciência e o teste quantitativo experimental das suposições teóricas, mudando radicalmente a forma de produzir e justificar o conhecimento científico. Método quantitativo experimental. Inicia-se um novo paradigma que culminaria com o sucesso da física newtoniana. Com esse procedimento, Galileu estabeleceu o domínio do diálogo científico, o diálogo experimental, que era o diálogo entre o homem e a natureza. Ao homem competiria com sua razão teorizar e construir a interpretação matemática do real, e à natureza caberia responder se concordava ou não com o modelo sugerido. O Método Indutivo e o Surgimento do Positivismo. O homem começa a trabalhar tendo como modelo de acesso à realidade o procedimento do experimento científico, esse procedimento estipula quando o homem acessa plenamente a realidade, a tal ponto de dizer e descrever com exatidão quantitativa como é que ela funciona e como ela se relaciona: se o acesso é verdadeiro, ou quando não a acessa plenamente, se o acesso fornece uma imagem falsa. Esse procedimento passou a se chamar método científico. Newton, dando uma interpretação diferente da de Galileu, se recusava a admitir que trabalhava com hipóteses aprioristas, em física toda proposição deveria ser tirada dos fenômenos pela observação e generalizada por indução. Esse seria o método ideal ou experimental, através do qual se poderia submeter à prova, uma a uma, as hipóteses científicas. À ciência caberia aceitar apenas as que evidenciassem a certeza confirmada pelas provas empíricas produzidas pelo método experimental. O método científico se constituía de: Observação dos elementos Análise da relação quantitativa existente Indução de hipóteses quantitativas Teste experimental das hipóteses Generalização dos resultados em lei De acordo com esse modelo, o sujeito do conhecimento deveria ter a mente limpa, livre de preconceitos, para que recebesse e se impregnasse das impressões sensoriais recebidas pelos canais da percepção sensorial. As hipóteses seriam decorrentes do processo indutivo, da meticulosa observação das relações quantitativas existentes entre os fatos, e o conhecimento científico seria formado pelas certezas comprovadas pelas evidências experimentais de alguns casos analisados. Essa pregação positivista foi considerada como o ideal do conhecimento. Nas ciências conhecer significava experimentar, medir e comprovar. Pierre Duhem (1861 - 1916). Foi um dos primeiros a denunciar o dogmatismo e a certeza da ciência. Para ele, o cientista constrói instrumentos, ferramentas, suas teorias, para se apropriar da realidade, estabelecendo com ela um diálogo permanente. A aceitação da validade dos instrumentos de observação e quantificação, a seleção das observações de manifestações empíricas e sua interpretação, depende da aceitação da validade ou não dessas teorias. Dessa forma, Duhem desmistifica o positivismo, calcado no empirismo e na indução do método newtoniano. No início do século XX, principalmente com o advento da mecânica quântica, e com Einstein, com suas teorias da relatividade, damos início à ciência contemporânea.Com Einstein e tantos outros, quebrou-se o mito da objetividade pura, isenta de influências das idéias pessoais dos pesquisadores. Demonstrou-se que, mais que uma simples descrição da realidade, a ciência é a proposta de uma interpretação. O cientista se aproxima mais do artista que do fotógrafo. O uso do método experimental indutivo cai por terra. E uma nova pergunta se coloca: que critério utilizar para demarcar e distinguir a ciência de outras formas de conhecer? É possível ter um procedimento padrão, um método científico para fazer ciência? No início do século XX, as idéias de Einstein e Popper revolucionaram a concepção de ciência e de método científico. O dogmatismo que tomou conta da ciência principalmente, ao final do século passado foi minado em suas bases, cedendo seu lugar a atitude crítica. A partir de então desmistificou-se a concepção de que método científico é um procedimento regulado por normas rígidas que prescrevem os passos que o investigador deve seguir para a produção do conhecimento científico. Não existe um modelo com normas prontas, definitivas pelo simples fato que a investigação deve orientar-se de acordo com as características do problema a ser investigado, das hipóteses formuladas, das condições conjunturais e da habilidade crítica e capacidade criativa do investigador. Praticamente, há tantos métodos quantos forem os problemas analisados e os investigadores existentes. Portanto Positivismo Lógico é não uma Teoria de Conhecimento, por isso ,fiz a pergunta errada e sim um conjunto de procedimentos utilizados pelo investigador. Piaget acreditava que o o cientista constrói instrumentos, ferramentas, suas teorias, para se apropriar da realidade, estabelecendo com ela um diálogo permanente. A aceitação da validade dos instrumentos de observação e quantificação, a seleção das observações de manifestações empíricas e sua interpretação, depende da aceitação da validade ou não dessas teorias. Acreditava que, mais que uma simples descrição da realidade, a ciência é a proposta de uma interpretação. O cientista se aproxima mais do artista que do fotógrafo.

Concordam ? Estou certa? Abraços Bernardete

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