Epistemologia Genética
Resumo do texto do Professor Fernando Becker
DisponÃvel em: http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_20_p087-093_c.pdf
Acesso em 15/09/2006
O universo sempre foi o que é hoje? Darwin, no século XVIII, na biologia, tira do homem o tÃtulo de filho de Deus e faz dele um descendente dos sÃmios.
Sabemos, hoje, que o universo é muito maior do que se imaginava, que não é estático e, mais, que desde o seu inÃcio, há quinze milhões de anos, está em expansão a velocidades espantosas.
Concepções que as ciências foram construindo refletem-se na Filosofia e na Sociologia.Hegel e Marx expressam estes movimento pela dialética: Dialética no pensamento e dialética na realidade objetiva.O princÃpio da transformação está na essência do próprio ser. Nesse século, já sob a influência da fÃsica relativista e da mecânica quântica, Piaget faz refletir essas idéias na psicologia, na Filosofia e, mais especificamente, na Epistemologia, construindo uma nova ciência a que chamou de Epistemologia Genética.
Assim como Marx derrubou a idéia de uma sociedade constituÃda por estratos, ricos e pobres, que existiam desde toda a eternidade, e criou a idéia de uma sociedade que se produz e reproduz, estabelecendo um sistema de produção que a perpetua, Piaget derruba a idéia de um universo de conhecimento dado, seja na bagagem hereditária apriorismo, seja no meio empirismo fÃsico ou social.
Criou a idéia conhecimento-construção, expressando, nessa área especÃfica, o movimento do pensamento humano em cada indivÃduo particular, e apontou como isso se daria na humanidade como um todo.
Construtivismo significa isto: a idéia de que nada, a rigor, está pronto, acabado, e de que, especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhuma instância, como algo terminado. Ele se constitui pela interação do indivÃduo com o meio fÃsico e social, com o simbolismo humano, com o mundo das relações sociais; e se constitui por força de sua ação e não por qualquer dotação prévia na bagagem hereditária ou no meio, de tal modo que podemos afirmar que antes da ação não há psiquismo nem consciência e, muito menos pensamento.
Que sentido terá construtivismo na educação?
Raramente o professor consegue romper o vaivém entre empirismo e apriorismo: se nota que a explicação empirista não convence, lança mão de argumentos aprioristas. e volta na primeira oportunidade, ao empirismo, se o mesmo acontecer com a explicação apriorista. A ruptura acontece se o professor pára a sua prática e reflete sobre ela.
O professor faz isso precisamente por esse processo de reflexão. Ao apropriar-se de sua prática, ele constrói ou reconstrói as estruturas de seu pensar, ampliando sua capacidade, simultaneamente, em compreensão e em extensão.Essa construção é possÃvel na medida em que ele tem a prática, a ação própria; e,também na medida em que ele se apropria de teoria(s) suficientemente critica(s) para dar conta das qualidades e dos limites de sua prática.. Essas duas condições são absolutamente indispensáveis para o avanço do conhecimento, para a ruptura com o senso comum na explicação do conhecimento.
O conhecimento é uma construção. O sujeito age,espontaneamente, isto é, independentemente do ensino mas não independentemente dos estÃmulos sociais, com os esquemas ou estruturas que já tem, sobre o meio fÃsico ou social.Retira (abstração) deste meio o que é de seu interesse. Em seguida, reconstrói (reflexão) o que já tem, por força dos elementos novos que acaba de abstrair. Temos então, a sÃntese dinâmica da ação e da abstração, do fazer e do compreender, da teoria e da prática. É dessas sÃnteses que emerge o elemento novo.
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Depoimentos dos professores que se aproximam dessa concepção:
'"A criança adquire conhecimento acho que olhando o mundo, o ambiente.Sofrendo influência das coisas ao seu redor começa-se a estabelecer relações com esse mundo."
" A criança já traz parte do conhecimento. Adquire outra parte com o meio e constrói a partir disso."
"O bicho eu adestro, é estÃmulo-resposta. A criança envolve inteligência, pensamento divergente, ela questiona, vai além."
" Como professora procuro interferir o mÃnimo para que a criança toque, mexa, experimente e, para isso, o professor precisa ter um pouco de sensibilidade para perceber se o aluno está ou não a fim de algo."
O professor concebendo o conhecimento do ponto de vista construtivista, procurará conhecer o aluno como um sÃntese individual da interação desse sujeito com o seu meio cultural (polÃtico, econômico etc). Não há tábula rasa, portanto. Há uma riquÃssima bagagem hereditária, produto de milhões de anos de evolução, interagindo com uma cultura, produto de milhares de anos de civilização. Segundo Piaget, o aluno é sujeito cultural ativo cuja ação tem dupla dimensão;assimiladora e acomodadora. Pela dimensão assimiladora ele produz transformações no mundo objetivo, enquanto pela dimensão acomodadora produz transformações em si mesmo, no mundo subjetivo.Assimilação e acomodação constituem as duas faces, complementares entre si, de todas as suas ações. Por isso , o professor não aceita que seu aluno fique passivo ouvindo sua fala ou repetindo lições que consistem em dar respostas mecânicas para problemas que não assimilou (transformou para si).
Práticas Pedagógicas
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